Tradicionalismo

Nas fundas estradas dobradas sobre as coxilhas, cruza a paciência ruminante dos mansos, que buscam compreender sozinhos a terra afundando as raízes... Usos e costumes que surgem junto com o tempo, com os marcos, com os fatos que transcendem a nossa história. História que será contada nestes e outros tantos encontros que teremos ... e para falarmos em história precisamos nos localizarmos no espaço geográfico onde tudo começou... Aqui...no Rio Grande do Sul...onde os retratos, presos às paredes rudes, testemunham o tempo nas molduras ovais empalidecendo o que restou dos ancestrais... As lagoas que são tão lindas que a inveja das coxilhas não lhes permite alcançar as sangas. Aqui...ainda se preserva o cunho inconfundível da raça campeira; o que a maioria das pessoas já perdeu, nós guardamos com orgulho porque temos origem, história e a verdade iluminada em cada retina. Aqui...não nos assusta e tampouco negamos o progresso, porém, o que não queremos, não aceitamos e repudiamos é a transformação moral do ser humano; a degradação inconteste dos bons costumes e do respeito. Aqui, os cavalos, mais que simples animais, que parceiros de árdua lida, são quase irmãos ou mais; quando muitos nasceram, os cavalos daquele tempo, trotearam e galopearam as distâncias suadas e aflitas entre os varais das aranhas, trazendo as parteiras para presentearem a vida. Nós temos história e uma luta em que estamos empenhados desde que nascemos, por isso, o nosso lugar é aqui, onde podemos ainda, estender a vista e enxergar a distância escondida no horizonte pintado de campo e céu e, onde Deus atou à saga os sonhos dos que aqui nos deixaram razões de ser e estar. Uma Raiz baseada na originalidade, essência e simplicidade rudimentar do homem do Campo... onde o progresso e o tempo mataram muitos rebanhos e as comparsas de esquila a martelo, o brete, o rodeio e as marcações porteira a fora já não são partes de um cotidiano... O caminhão matou o tropeiro... O rádio emudeceu as vitrolas... Mas nós homens e mulheres sabemos que o nosso lugar é aqui...cheirando o campo e podendo vislumbrar em cada amanhecer a paz da querência e ouvir em cada canto de sabiá ou grito de quero-quero a voz dos nossos avós e pais dizendo que este pago nos pertence... Não somos assim por espetáculo ou porque estudamos que um dia fora assim no passado, mas sim, porque foi desta forma que crescemos... com tudo em volta: a paz da querência, os bem-te-vis como canto matinal, as sombras valorizando os sóis, galpões, lidas campeiras...com a igualdade transcrita desde o mais humilde ao mais abastado, respeitando-nos como seres civilizados que desejam conviver com a harmonia de nossas belezas e de nossa história... Luciana Halfen Bonilha Tradicionalista


Fonte: Luciana Halfen Bonilha



Categoria: Artigos

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