Matéria Mulheres pilotam os espetos

Homens e mulheres estão reorganizando as peças da casa. Na cozinha, por exemplo, são eles que comandam forno e fogão, pelo menos em noites especiais, de cardápio mais elaborado, jantarzinhos com os amigos. Já as mulheres ensaiam uma reação ocupando um reduto histórico masculino: a churrasqueira. São elas que estão assando – e bem – churrasco. O interesse é tão grande pelas técnicas dos assadores que há até professores especializados no mercado. Mauro Abreu de Camargo, da Cia. do Churrasco, dá aulas em frente à churrasqueira há pelo menos quatro anos. No último mês, apenas em Porto Alegre, ele trabalhou com três turmas de alunas, mulheres que queriam aprender a assar. – O desafio é que elas questionam mais. São mais detalhistas e, por isso mesmo, trazem mais qualidade e requinte ao churrasco – elogia Mauro. Professor profissional, a aula tem quadro de fotos, apostila e power point (apresentação no computador) do passo a passo do assador com informações teóricas. Mauro abre os trabalhos explicando de onde vem cada corte de carne, apontando para uma ilustração de um boi dividido em coxão mole, cupim, lagarto, capa do filé, filé mignon, fraldinha. – As mulheres procuram mais as aulas porque estão ocupando o mercado de trabalho e, muitas, porque se separaram e querem continuar a comer churrasco. Elas só temem fazer o fogo. Ah, também gostam de usar luvas para mexer na carne. Mauro tem aulas agendadas em São Paulo para ensinar os paulistanos a fazer o churrasco gaúcho. Desta vez, as turmas serão mistas. Fernanda Kunzler, 33 anos, não poderia ter uma profissão mais identificada com um universo de delicadezas femininas. A empresária é dona de uma loja de scrapbook, álbuns de fotos que ela organiza e decora artesanalmente – a técnica é um hobby nos Estados Unidos. Pois Fernanda largou as fitas e rococós e pilota muito bem os espetos (fotos). – Começou com uma brincadeira, na casa de uma amiga. Resolvemos inventar um churrasco, e eu decidi assar, já que sempre fui metida a ajudar o meu pai. O início foi informal, mas Fernanda engrenou. Recentemente, fez um churrasco para 12 amigas. O motivo da comemoração? – A gente ia assistir ao jogo do Inter. A empresária assa e, se for preciso, limpa os espetos, mas a função da organização é normalmente feita por uma das convidadas. – Gosto de assar, mas não sempre. Quando tem quem faça nem penso, daí deixo o meu pai que faz um churrasco ótimo – confessa Fernanda. O reflexo das mulheres assadoras também é sentido no mercado. Na butique de carnes Moussalle, o atendente Evandro de Godoy está acostumado a dar dicas para as iniciantes. – Atendi a uma senhora viúva que queria comer churrasco, mas tinha medo de fazer o fogo desde que perdeu o marido. Orientei como usar o acendedor automático, e ela conseguiu. Voltou faceira, contando que a carne ficou muito boa. Para o público feminino, um atrativo comercial é apresentar novidades que incrementem o churrasco. Na loja, a procura tem sido por uma geleia de bergamota com pimenta, acompanhamento sugerido para a carne de cordeiro. Um jogo de vôlei com as amigas foi o início da promissora carreira de assadora da leiloeira Liliane Parmeggiani. Depois do jogo, resolveram pilotar a churrasqueira. As amigas assumiram as outras funções: comprar os ingredientes, fazer o fogo, colocar a mesa e preparar a salada. Liliane não se intimidou: – Ah, disse que eu assava, mas com algumas condições: nada de ficar horas no fogo e naquele fogo tímido. Queria fogo alto e, em 45 minutos, estava tudo pronto. Servi uma carne suculenta. Os assados foram sendo incrementados: – Asso de tudo – conta ela, que tornou-se a dona da churrasqueira na família. Nem o marido se arrisca na concorrência. Pilotar a churrasqueira pode ter nascido de uma necessidade feminina, na falta de um assador experiente, por que não se aventurar? Mas para algumas também se tornou símbolo de uma mulher moderna. Como na peça Se Meu Ponto G Falasse (em cartaz no mês de agosto, em Porto Alegre), no diálogo entre as atrizes Heloisa Migliavacca e Patsy Cecato. – As mulheres mudaram tanto e os homens nem notaram – diz Patsy, arrematando: – Porque eu sou uma mulher que asso o meu próprio churrasco! Heloisa responde: – E eu mato as minhas próprias baratas! Mas e na vida real, será que Pasty Cecato pilota os espetos? – Deus me livre, nem chego perto.


Fonte: Fernanda Zaffari / Donna ZH



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Categoria: Notícias

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